sábado, 28 de setembro de 2019

As operações financeiras apontadas pela PF foram depositadas na conta pessoal de Henrique Alves

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As operações financeiras apontadas pela Polícia Federal, chamadas de mútuos (empréstimo) ocorreram em 8 e 19 de agosto; 24 e 26 de setembro e 16 de outubro de 2014. Cada uma foi no valor de R$ 1 milhão de reais, depositados na conta pessoal de Henrique Eduardo Alves. No mesmo período, há saídas da conta no valor de R$ 5,2 milhões.O Blog do Dina obteve as informações com exclusividade.

A Polícia Federal chama atenção para o fato de que transações desse tipo anteriores tiveram valor abaixo. Em janeiro, fevereiro e março de 2014, houve empréstimos de R$ 100 mil, em cada mês. A legislação eleitoral proíbe que emissoras de tv sejam doadoras de campanha eleitoral por serem concessionárias de serviço público. A transação em questão, do ponto de vista legal, não configura doação já que se tratou de um empréstimo. Mas para a PF, os recursos foram utilizados de forma ilegal.

“Os recursos da Televisão Cabugi Ltda., obtidos através de ‘mútuo’ de natureza incomum e sem o esperado adimplemento das parcelas pelo mutuário, foram destinados e utilizados na campanha eleitoral de 2014 por parte de Henrique Eduardo Lyra Alves, mediante a emissão de cheques debitados em sua conta pessoal, para finalidade ilícita de cooptação de lideranças políticas para apoiá-lo no pleito de 2014, consequentemente sem registro na Justiça Eleitoral, ainda que fosse utilizado o argumento de que os cheques teriam sido destinados a honrar despesas regulares de campanha”, diz o relatório, que cita delação de Fred Queiroz para contextualizar como teria se dado a compra de lideranças políticas.

Até dezembro de 2015, segundo o relatório, as dívidas resultantes dessas operações, que remontam a 2006, entre Henrique Alves e a Intertv somavam R$ 25 milhões. “Quando analisados os contratos de mútuo referidos conjuntamente com a declaração de bens e direitos constante da DIRPF do investigado, faz suspeitar que foram celebrados apenas para abarcar o acréscimo patrimonial supostamente incompatível com a renda percebida na qualidade de deputado federal, fato que enseja apuração criteriosa”, diz o relatório.

Marcos Dantas

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